06 November 2009

Illustrations for Deutsche Welle

The Spanish team of Deutsche Welle recently published a flash animation encouraging readers to help “save the world”. I illustrated that.

Click here and take the chance to practice your español!

23 September 2009

Personagem de TV

Adorei esta matéria e entrevista com o Thiago Lacerda. Tirou as palavras da minha boca.

27 August 2009

O Multicidadão já está no ar

A partir deste mês, você já pode acessar o Multicidadão: Aventuras, apuros e dicas de um jovêm nômade.

No novo site, você vai encontrar histórias engraçadas, assustadoras e difíceis de acreditar, além de dicas pra viajar e entender melhor alguns aspectos da cultura de outros lugares do planeta.

O blog é escrito só em português e deve ter atualizações semanais, sempre com conteúdo específico pra brasileiros que estão curiosos pra levantar e sair conhecendo mais do mundo.

21 August 2009

The world's English mania

Here is Jay Walker talking about the struggle of billions of people to learn English.

12 July 2009

Caricatures 4

Laís Kalka deixa a chefia da redação latino-americana depois de vários anos na Deutsche Welle. Mesmo caindo de pára-quedas nesse momento histórico, também lhe dei um a lembrança de despedida.

Internship at Deutsche Welle


About 3 years after I sent my first application, I finally managed to come to Bonn, Germany, and do an internship at Deutsche Welle. The pictures show the Latin American team.

25 April 2009

Caricatures 3


This was a birthday present for Anna. The theme is that she struggles to make choices. That's why she's saying, "But I don't know..." Drawn by hand and colored on Photoshop.

Caricatures 2


These have been drawn and colored by hand.

Caricatures 1


These are some co-workers from Berlin drawn for the company's calendar of 2009.

02 April 2009

Brains vs computers

Here is a great article on this subject.

24 March 2009

Atomic bombs

I heard today that France has already conducted 210 atomic tests since 1960, mostly in its (officially) former colony Algeria and in Polynesia. I didn't even bother checking the details and exact numbers. It could have been in Chile, Alaska, Azerbaijan.... and they could have been 300 or 3,000 explosions. Who cares anyways?

North Korea and Iran are the great dangers now, yes yes... The US, France and the other three permanent, veto-wielding members of the Security Council (Russia, Britain and China) are just peace keepers. That's why they all possess nuclear arsenals.

Do you know what I think sometimes? Are my grandchildren be more ashame of the Germans during the second war or of the US' History?

Most of what we know today about the Nazis was found out after the war was over. Will our children also learn about everything that has been going on since Vietman after the Yankee Empire falls?

19 March 2009

Occupation 101

"The greatest enemy of knowledge is not ignorance. It is the illusion of knowledge."

The documentary Occupation starts with this quotation from Stephen Hawking. Click here to learn more.

18 January 2009

Latuff and his resistance II



Latuff and his resistance I

Che Guevara fought with guns, Hugo Chávez and Evo Morales fight on politics, Palestinians and Iraqis become bombs on their battles. Latuff, instead, uses pencils and a mouse to illustrate what many other caricaturists, journalists and politicians wouldn't dare saying on a fight against the silence.

Many will say this 40-year old cartoonist from Rio de Janeiro is nuts, controversial, anti-semitic and so on. I see him as a passionate, talented man who hasn't lost his rebel spirit.

On the next post there are some of his most recent cartoons. Click here to see many more.

11 December 2008

Humor negro

Pra quem gosta de piada, aqui está uma boa e recente.

26 November 2008

Berlim alternativa

O "mochileiro Marcel Vincenti" é um jovem de 25 que, durante a sua viagem mundo afora, tem contribuído para o portal da UOL com ótimos textos sobre os lugares que visita.

Este artigo sobre Berlim é fantástico.

17 November 2008

Pode acreditar, sim!

Faz tempo que tento ser ponderado no blog e nos relacionamentos interpessoais em geral, mas tem horas em que a burrice me deixa maluco. Este é um desses momentos.

Recebi há pouco um e-mail com o título "Urgente". Já começa por aí. Quando você recebe um e-mail com um título desses, já pode ter certeza absoluta de que é uma porcaria ou uma chatice.

Este era (mais) um daqueles e-mails repassados por um bando de otários otimistas (cá entre nós, uma das piores categorias de otários) pra todos os contatos das suas respectivas listas. Lá no final estava a seguinte mensagem:

SE FOR VERDADE,
O MEU TÁ GARANTIDO...

Caros colegas!Como recebi esse e-mail de uma pessoa de extrema confiança, repasso a vcs e vamos ver no que dá.

URGEEEEEENNTEEEEEE!!!!!!! Microsoft e AOL são agora os maiores empresas de Internet. E para ter certeza de que a internet Explorer é realmente o programa mais usado a Microsoft e a AOL iniciaram um E-Mail Beta Test.

Se você enviar esse e-mail a amigos a Microsoft pode e vai por um período de 2 semanas rastrear esse e-mail.

Para cada pessoa que você mandar este e-mail a Microsoft vai pagar U$245,00. Para cada pessoa a quem você enviar, que enviar este e-mail adiante a Microsoft paga a você $243,00. E para cada terceira pessoa que receber este e-mail você recebe $241,00 da Microsoft.

Daqui a 2 semanas a Microsoft vai te contactar neste teu endereço e te enviar um cheque.

Eu também pensei que era besteira mas 2 semanas depois de receber esse e-mail, a pessoa
que mandou-o para mim foi contactada pelo Microsoft dentro de alguns dias ele recebeu um cheque deR$24.800,00.

Você deve responder antes que o beta Teste termine. Se alguém pode se dar a este luxo este alguém é oBill Gates, o homem para estas coisas. Isto tudo é estratégia de Marketing dele.

Eu te desejo muito sucesso.

Apenas mande adiante, não custa nada, apenas um pouco de tempo em selecionar aqueles que irãoreceber o repasse deste mail.

Tive o trabalho de copiar isto aqui pra que cada um que leia este texto se toque do quanto está sendo imbecil acreditando nessas baboseiras.

Tá, então Microsoft e UOL pagam U$ 241 pra cada contatozinho do seu e-mail? E vai rastrear, mandar um cheque pro seu e-mail assim, de boa vontade, pra testar absolutamente nada? Porque e-mail ninguém precisa testar... pelo menos não dessa forma arcaiquíssima. No máximo, quem vai rastrear e ter um monte de e-mails novos pra incluir na lista de spams é algum hacker espertinho.

Se for pra levar also assim numa boa, o e-mail vira piada, e a graça é ver o quanto tem gente besta que consegue se enganar com tanta facilidade com coisas que não fazem o menor sentido.

"Não custa tentar"! Grrrrrr!

17 October 2008

Os caminhos das Índias

Dando uma olhada num CD com textos antigos, encontrei este que escrevi no início do ano passado e que não devo ter publicado aqui ainda:

Os caminhos das Índias


Às 4h da madrugada, o calor de 42ºC e um monte de homens de pele escura, cabelos pretos lisos, corpos esqueléticos e olhos fixados em mim e na minha irmã eram um beliscão nos mostrando que estávamos, depois de muito tempo de ansiedade e preparação, de verdade na Índia.

Era um mês de setembro e a época das monsões estava chegando ao fim. Sem nenhum telefone de contato ou reserva de hotel, Lise e eu esperamos o máximo que pudemos dentro do aeroporto, criando forças pra encarar o que estivesse no lado de fora nos esperando.

Eu havia feito uma pesquisa minuciosa sobre as religiões daquele país, tínhamos nos encontrado com imigrantes dali na Europa e guardávamos uma lista de dicas de pessoas que já tinham visitado a Índia e nos diziam que, depois de termos pisado lá, sempre pensaríamos em voltar.

Mas nada disso foi suficiente pra evitar o choque que tivemos quando, já no caminho do aeroporto até Mumbai, uma das cidades mais populosas do mundo, tivemos nossas visões violentadas pela quantidade estarrecedora de gente dormindo nas ruas e calçadas da periferia.

Com a chegada da luz, vieram as vacas, as pessoas se lavando nas calçadas com a água escorrendo pelas valas das vias públicas, os carros, os rikshas, as vacas, as buzinas, os pés descalços, os gritos, os cheiros, a miséria, a piedade, a raiva e tudo que era escancarado à luz do sol sarcástico nos dando as boas-vindas.

Um dia na maior cidade indiana foi suficiente pra decidirmos correr pra longe dali. Por isso, na manhã seguinte, Lise e eu pegamos um trem com destino a Vadodara, capital de Gujarat, mas o pesadelo não acabou. Aliás, só começava quando me dei conta de que, ao pegar o trem, alguém já tinha roubado meu precioso saco de dormir comprado depois de meses de pesquisa na Alemanha.

Com o passar dos dias, só nos convencíamos mais de que não nos adaptaríamos àquele lugar e xingamos muito todas aquelas pessoas que haviam nos dito o quanto a Índia era maravilhosa.

No entanto, não há nada melhor o tempo pra deixar a vida dar suas voltas, como só quem vive bastante acredita. Com a passagem de volta pra dali a quase três meses, depois de uma semana, finalmente decidimos que já era hora de nos molharmos naquela tempestade.

Conhecemos um indiano aqui e ali, ousamos, perguntamos, experimentamos e rimos mais; dormimos, reclamamos e sofremos menos. Seguindo dicas dos próprios nativos, fomos subindo pelo mapa em direção ao deserto do Rajastão e encontrando um país diferente, cada vez mais tranqüilo, amigável e turístico.

Em algumas semanas, já estávamos habituados ao dia-a-dia dos hindus e vacinados contra os golpistas oportunistas e os vendedores e pedintes insistentes. Estávamos também com o estômago fortalecido pra encarar os pratos indianos. Pelo menos foi o que eu pensei, até provar, na segunda semana no país, meu último táli, um prato típico de lá.

Minha irmã insistiu em seguir experimentando a culinária local, enquanto passei a procurar restaurantes turísticos com comida ocidental. Semanas depois, Lise ficou dez dias doente na cama de um quartinho de hotel em Pushkar, um pequeno e aconchegante vilarejo próximo a Jaipur, ainda no Rajastão. Durante cinco dias, ela não conseguiu comer nada e até água era vomitada logo depois de bebida.

Com os comprimidos mágicos de um médico de lá, Lise se levantou da cama e voltou a comer, mas, dali em diante, passou a tomar só água mineral e a comer nos mesmos lugares que eu.

Com o corpo são, colocamos a mochila novamente nas costas e caímos na estrada em direção à capital Nova Dehli. Nunca vi um trânsito tão caótico na minha vida! É o único lugar do mundo onde, pra atravessar uma avenida, eu precisava de mais de 15 minutos! Além disso, a poluição é tremenda que se torna visível até com a sujeira que sai quando se soa o nariz!

Continuamos a viagem rumo a Sikkim, uma região do Himalaia com população predominantemente budista e pacata.

Horas e horas de aperto e muito balanço em ônibus, dias de desconforto em trens, paradas injustificadas e saídas sem horário previsto pra chegadas... assim foram sempre as viagens que nos levavam de uma escola da vida indiana à outra.

Em Darjeeling, vi o monte Everest, atravessei trechos verdes e montanhosos durante dias de trekking, visitei diversos templos religiosos, senti muito frio, voltei a comer o mesmo que os nativos e, depois de semanas, senti novamente o gostinho de carne!

A próxima grande parada foi Varanasi, à beira do rio Ganges. Ali, rodeados de novos amigos de todas as partes do mundo e de macacos peraltas que vivem soltos pela cidade, Lise e eu assistimos de perto a vários corpos sendo cremados em fogueiras de sândalo e jogados no rio. E vimos também, no mesmo rio, milhares de indianos tomando banho, lavando roupa, escovando os dentes, nadando e meditando... além de uma cabecinha ou uma mão boiando de vez em quando!

O destino seguinte foi Agra, a cidade horrível onde foi construído o belíssimo Taj Mahal. Inconformados com a discrepância entre os preços que um indiano e um turista estrangeiro pagam pra visitar o mausoléu (20 vezes mais), minha irmã e eu chegamos à cidade numa sexta-feira, o único dia em que ninguém precisa pagar pra ver a única das sete maravilhas que ainda está de pé.

Pulando os detalhes sobre o bando de pilantras que vivem de golpes aplicados em turistas naquele lugar...

... Com Taj Mahal visto e fotografado, veio a dúvida: “Zanzamos mais um pouco pelo país, enfrentando as viagens cansativas e o calor e a confusão de outras cidades?” Provando que ainda estávamos relativamente sãos, decidimos que não e voltamos à bela e tranqüila Pushkar. Passamos os últimos 25 dias ali antes de voltarmos a contragosto a Mumbai, de onde pegaríamos o avião de volta a Frankfurt, na Alemanha.

Sem acesso a TV, rádio e internet, aprendemos muito sobre nós mesmos e o próximo observando e escutando histórias das pessoas que, com sua simplicidade e pobreza, nos davam preciosas lições de riqueza emotiva e espiritual. E, por falar em pobreza e riqueza, foi ali que, com o dinheiro de cada caricatura que eu fazia pros turistas, eu pagava duas noites no hotel!

Ao pensar em Pushkar, também vou me lembrar por um bom tempo das festas de casamento, do maravilhoso nascer do sol visto do alto das montanhas no deserto e do pôr do sol admirado na escadaria à beira do lago sagrado, ao som de tambores e do tabla indiano e em companhia de gente de todos os tipos e todas as partes do mundo.

Quando 86 dias se passaram e a Índia estava prestes a ficar pra trás, um filme como os de Bollywood passou rápido pela minha cabeça mostrando cenas de semanas que seriam decisivas na formação daqueles jovens de 19 e 21 anos num homem e numa mulher.

Com o avião no céu, a imensidão de um dos lugares mais excêntricos do planeta diminuía e diminuía... pra caber pra sempre nos nossos corações.

11 October 2008

We are the catastrophe

Only a few people can see what is obvious and raise their voices to stand for what is really important on the planet. This is why I love Adbusters, this daring magazine edited in Vancouver, Canada.

One of its readers, Gerald Toth from Quito, Ecuador, had his letter published last March on the magazine's 76th edition. His message is obvious, but strangely something people don't talk about and are certainly scared to death of thinking about.
Anyways, here is a part of what Mr. Toth says:

"(...) The single greatest threat to Earth is the overpopulation of the human species. This is the fundamental planetary problem of which all other problems are merely symptoms, and yet it is the one problem that very few people and leaders choose to address - which is not surprising since it's uncomfortable to think that our existence, collectively, is the source of the problem. It's scary to consider a solution which implies our reduction. But the reduction will happen, either by human choice or natural consequence, and I think we all agree that the first option is more attractive."

Indeed, we're several Dorian Grays who have fallen in love with our own image and who idolatrate our own race at all costs.

Once again, we're all talking about economical crisis. It's always about keeping or creating jobs, production in higher scale, more profits and bigger fortunes. You dare to think for a while and you'll come across as a hippy or anarchist - because that's how anyone who thinks about the sick system we live in may be called... if not 'terrorist'.

Think about what is destroyed on a day by us humans... on ONE single day! Just try to imagine how many animals' lives would be spared, trees wouldn't fall, stones wouldn't disappear, rivers, oceans and air wouldn't get dirty... if we simply didn't exist!

When I think about this, I get really mad at the bullshit I've heard since my childhood about religion. How are we able to be at the same time to intelligent and so silly to make up all these lies that justify or monstruous attitudes?

The Paradise is a place without people. We're actually the Devil. A Devil who's got no mirror and calls himself Mr. Angel.

29 September 2008

Berlim

Todo lugar tem uma cara.

Berlim tem uma meio pálida, enrugada com maquiagem, cabelos com corte dos anos 1960, piercing, uma boca cheia de dentes renovados - alguns postiços, alguns restaurados.

Com expressão mal-humorada, Berlim fica engraçada quando deixa escapar seus sorrisos desajeitados. Tem um sotaque cada vez mais fraco e, quando fala, acaba soltando uma ou outra palavra em inglês, russo, turco, chinês, polonês, farsi, espanhol, italiano e francês. Quando bebe, mistura tudo.

Tem muitas histórias pra contar. Aliás, vive do passado, mas tentando se livrar dele. De qualquer forma, é esse tormento que ela deixa transparecer quando fala e quando se cala.

Quieta, sim; tímida, não. O olhar é sempre pra frente ou pra dentro, mesmo, sem vergonha, entretanto, do contato olho no olho. Mas nada de piscadinha. Ser notado por Berlim exige mais que sua presença. Nada que o tempo não ajude a resolver.

31 August 2008

Só os cruéis sobrevivem

Fico abobado quando escuto as intermináveis discussões sobre a crueldade de quem come ou deixa de comer gato e cachorro. E qual é a diferença pra quem entra e sai do Mac Donald's ou vai a qualquer cachorrão da esquina sorrindo?

Também fico pasmo com tamanha falta de consciência da nossa sociedade que ainda se faz de boazinha por "já" admitir que os negros também têm alma, apesar de continuar negando tudo que é direito básico dos demais mamíferos ou de outros animais. Como somos cínicos nós humanos, né?

Afinal de contas, "que direito nós temos de subjugar os animais ao nosso bel prazer para o nosso próprio benefício?"

Este é algum dos questionamentos feitos em A carne é fraca, um documentário polêmico que escancara a crueldade humana e põe em cheque a viabilidade da pecuária, a saúde de quem consome carne e a chamada "humanidade" tanto dos que cultivam animais para o abate quanto dos que nem se dão conta de como a eles vêm parar nas nossas mesas.

É redundante relatar ou comentar o que se vê, escute questiona em quase uma hora de documentário. Muito melhor é assisti-lo e, depois, descobrir como você vai lidar com seus mecanismos psíquicos de defesa, conflitos morais ou mesmo apetite - ou falta dele.

Este vídeo, bem mais curto, também é interessante.

25 August 2008

O tempo na Alemanha

Esqueça a cerveja, a lingüiça, a política, o futebol e a engenharia. Na Alemanha, o assunto principal é sempre o tempo (aquele do clima). Tudo gira em torno dele e, apesar de o país ter sido o berço do protestianismo com Martinho Lutero, a maioria da população ainda idolatra o sol, mesmo que seja uma idolatria hipócrita.

Se quiser iniciar uma conversa, basta fazer um comentário sobre o tempo. Se não gostar de falar sobre sol e chuva, vai ter que ralar muito pra não ficar sem assunto. Apesar do sarcasmo, esta é uma observação tão realista que qualquer pessoa que tenha vivido na Alemanha e convivido com os nativos daqui pode confirmar.

Dizem que o humor das pessoas tem muito a ver com o clima da região. Então pense no que Napoleão Bonaparte já costumava dizer: "A Alemanha é um país com 9 meses de inverno e 3 meses sem verão."

Quando cheguei em Berlim em fevereiro, fiquei ansioso pra ver o que mudaria em julho e agosto. Esperava que, quando a temperatura aumentasse, eu veria as pessoas um pouco mais... felizes, digamos assim.
Os 3 meses 'sem verão' estão passando e tenho constatado mais uma peculiaridade do povo germânico. Nos dias quentes, todo mundo reclamava da chuva, das nuvens e do frio... Nas últimas semanas, entretanto, quando o termômetro oscilava por volta dos 30 graus, essa mesma gente passou a se queixar do calor, do suor, do sol, da umidade, do cansaço.

Vai ver o sol escuta isso nos 3 meses em que dá uma passadinha e castiga este povo de propósito nos 9 meses seguintes...

17 August 2008

Lula & Brazil

Here is an interview also for Al Jazeera with Lula. Also a good one.

Evo Morales & Bolivia

It's always necessary to be careful when we hear the news in America, specially in southern countries, where a rich minority controls the vast majority of the communication system.

I've been recently watching and reading a lot of tricky news and comments about Evo Morales - the same kind as those attacking Lula and Hugo Chávez that I've already gotten used to.

In this brief interview to Al Jazeera, the Bolivian president talks frankly about his struggle 'to repair the damage of centuries of inequality'. It's worth watching it.

10 August 2008

Kale Saln's words

This man founded Adbusters, a magazine which finally makes me feel normal.

When you watch this interview Mr. Saln gave to CNN more than 2 years ago, you will learn a bit of what Adbusters stands for and maybe you will notice the huge lack of understanding shown by the CNN beauty. Her "Come oooons" are not a surprise.

Click here to watch the short interview.

22 July 2008

Tudo tem fim, inclusive...

Este texto tem circulado na internet sem assinatura. Uma pena porque eu teria orgulho de ter escrito isso e raiva de ter meu texto circulado sem o crédito.

Sempre acho que namoro, casamento, romance
tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
'Ah,terminei o namoro...'
'Nossa,quanto tempo?'
'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'
'É não deu...'
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo, nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama!
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós.
Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói!
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?

05 July 2008

Perseguição a ciganos na Itália

Em 2005-2006 morei por 8 meses em Roma, uma cidade que, apesar de encantar muitos turistas, é um verdadeiro inferno pra se viver.

As razões são inúmeras e incluem o transporte tanto público quanto privado, o mau humor dos nativos, a cansativa burocracia e atrapalhada corrupção dos órgãos públicos, a sujeira nas ruas e, principalmente, a insegurança causada pela vergonhosa combinação da criminalidade com a ineficácia do Estado em combatê-la.

Esse último item é tão relevante que Roma é conhecida não só pelo Coliseu e pelo Vaticano, mas também pelos ladrões de bolsas e carteiras.

Me chame de preconceituoso, racista, generalista ou do que quiser, mas qualquer italiano ou alguém que viveu por vários meses na Itália sabe: assim como onde tem fumaça tem fogo, onde tem roubo em Roma geralmente tem também alguns ciganos.

Isto não é uma opinião; é fato. Assim como é fato que, por mais que a minoria étnica vinda principalmente da Romênia e da ex-Iguslávia tenha sido perseguida há séculos em diversas partes do mundo, na Itália, ela tem sido muito bem-tratada.

Bem demais, eu diria, depois de descobrir que aqueles pilantras que enfernizam roubando nos metrôs, ônibus e centros turísticos da capital italiana recebem ajuda de centenas de euros do governo (coisa que eu, cidadão italiano, nunca recebi) e depois de ver que policiais, depois de pegarem grupos de ciganos no flagra roubando, simplesmente devolvem os objetos furtados aos donos e deixam os ladrões seguirem andando.

Se pra mim já era revoltante, imagine como os próprios nativos romanos e de outras partes da Itália se sentem com essa anarquia. E, depois de tanto ouvir perguntarem "Por que o governo ou a polícia não fazem nada?", finalmente vi que, há alguns dias, o ministro do Interior, Roberto Maroni, anunciou que fará uma espécie de censo dos ciganos, registrando inclusive suas impressões digitais.

A reação de alguns utópicos ativistas e de grupos da hipócrita Igreja é de repúdio ao governo e o mais triste de tudo é que jornais e agências de notícias também entram na onda de taxarem a medida do governo italiano de xenofobista, preconceituosa e perseguidora.

Talvez o governo italiano seja mesmo culpado. Não por perseguir um monstro, mas por tê-lo deixado crescer com total liberdade, tantos direitos e nenhum dever.

16 June 2008

O Brasil clara e simplesmente

Simplesmente...

E claramente.

14 June 2008

What Sex And The City is about

I laughed and even shed some tears during the movie, I won't deny it. Still, I won't be completely honest if I say I liked the movie.

My reaction to Sex And The City was the same of the one I get when I see fireworks: I find them colorful and beautiful, but I can't stop thinking about the huge waste of natural resources and labour force it is in fact- not counting the pollution it causes.

The movie could have been about love, sex and NY, among other things, but it's not.

Instead, it's about compulsive consumerism, indecent luxury, sickly valorization of brands, the glamour of the unconsciousness and stereotypes. It's a sad portrait of our American society, which has got the best dresses, diamond rings, parfums, hairstyles, purses, shoes, food, cars and houses thank the majority of the other screwed nations. Pretty sad, although beautiful, just like fireworks.

23 May 2008

Colônias

Estou assistindo a um documentário na TV. Com certeza, não é o programa mais visto neste momento na Alemanha, afinal de contas, mostra muitos africanos pretos, esqueléticos e miseráveis.

Enquanto termino esse primeiro parágrafo, a câmera mostra crianças e adolescentes brigando por potes de arroz que eles pegam com os dedos imundos, finos e longos e levam até a boca. Essa é, sem dúvida, uma cena chocante, porém, mais tragável que as mostradas logo antes - de homens e mulheres coletando “espinhos” e cabeças de peixe de um monte deles despejado por caminhões.

Os restos dos peixes são encontrados em meio a vermes e pendurados ao sol antes de acabarem parando no estômago de vários habitantes locais, enquanto a outra parte dos peixes está sendo exportada pra ser servida em pratos na Europa e no Japão, como o repórter explica.

Sendo filho de uma colônia e tendo sangue de colonizadores correndo em minhas veias, percebo que a História que aprendi sobre meu país continua sendo repetida em vários outros países. Quando era mais novo, perguntei por que deveria estudar História. Um professor me convenceu que sua matéria nos ajudava a evitar os erros cometidos por nossos ancestrais. Hoje, não consigo parar de achar que estudamos História pra confirmar o quanto nós humanos somos estupidamente gananciosos, cruéis e injustos.

Mudo de canal e vejo pessoas falando sobre coisas que me colocam numa encruzilhada: ou me defino como um selvagem insano vivendo num mundo civilizado ou como um espírito são em meio a uma maioria de criaturas loucas e cegas.

O documentário continua com o piloto branco de um dos aviões cargueiros que leva o filé dos peixes pra Europa dizendo: “Não existe guerra nenhuma na África. O que existe são pessoas passando fome por todos os lados, mas também porque os pretos não querem trabalhar.” Em determinado momento, a insistência das perguntas do repórter irrita o piloto, que se queixa: “Não sou um homem da política, não quero falar mais nada.”

Típico. Eles chegam como homens civilizados se gabando de bons modos e riqueza. Quando partem, levam nosso ouro e deixam pra trás nossas mulheres fecundadas, terras confiscadas, famílias escravizadas e as mentes de nossos irmãos e irmãs contaminadas com ideologias doentias. Ainda por cima, depois de todo o desastre, eles nos culpam por nosso azar e nos chamam de bárbaros, índios, pretos, gente barulhenta, estúpida e preguiçosa. Somos a mulher que, depois de perder a virgindade e servir um homem por anos, é deixada com filhos pra criar por não ser boa suficiente pra casar. E ainda é chamada de vagabunda.

No fim do documentário, um jovem tanzanês conta uma história bem diferente daquela do piloto europeu: “Esses aviões vêm pra cá supostamente pra buscar peixe, mas eles já chegam carregados. De quê? De armas. Entregues no nosso continente, elas são usadas pelos nossos povos que se matam uns aos outros. De certa forma, isso é bom pros europeus porque, mais tarde, eles vão ter que mandar medicamentos e comida e vão lucrar com isso.

Ele parece um maluco. Afinal de contas, ele tem muito cara de um animal furioso do que elas pessoas bem-educadas, sérias e brancas que estão ao meu redor.

Colonies

I’m watching a documentary now on TV. It’s certainly not the most viewed program at this moment in Germany. There’re too many black, skinny, miserable Africans on it.

While I finish this first paragraph, the camera shows kids and teens fighting for bowls of rice that they grab with their nasty, long, thin fingers and eat. This is indeed a choking scene. However, I find it much more bearable than those shown before - of women and men collecting fish bones and heads from a pile disposed by trucks. Yes, fish BONES!

The rests of fish are found among worms and then hung in the sun before ending up in the stomach of several locals while the rest of the fishes are being exported to be served in plates of European and Japanese people, the reporter explains.

When I was younger and asked what the purpose of History was, a teacher in Brazil convinced me his subject prevented us humans of making the same mistakes of our ancestors. Today, I can’t help thinking that we study History to testify how stupidly greedy, cruel and unfair we humans are. The stories just repeat!

I change the channel and see people talking about things that certainly define me as an insane savage who refuses to adapt in a civilized world… or as a sane spirit among a majority of crazy, blind beings. I'll rather stay with the second.

The documentary goes on. The white pilot of one of the cargos which take the fillets from the fishes to Europe says: “There’s no war in Africa. There’re only hungry people everywhere, but it’s also because black people don’t want to work.” At a certain point, the reporter’s insistence on asking questions starts bothering him, so he says: “I’m not a man of politics, I don’t want to talk anymore.”

Typical. They arrive as civilized men showing off good manners and wealth. When they leave, they’ve inseminated our wives, confiscated our land, taken our gold, enslaved our families and brainwashed our brothers and sisters with their sick ideologies. Moreover, after the whole disaster, they blame us for our own miserable fait, calling us barbarians, Indians, blacks, loud, lazy, stupid. We’re the woman that, after losing her virginity and serving a man for years, is abandoned with kids to raise for not being good enough to marry. And is then called slut.

At the end of the documentary, a young Tanzanian tells a story which is quite different from the one told by European pilot: “These airplanes are supposed to come here to pick up fish, but they arrive already loaded. With what? Guns. Delivered here in our continent, they are used by our people to kill each other. Somehow, it’s a good thing for Europe, because later on they know they’ll have to send medicines and food, profiting from that."

He seems to be a crazy man. Afterall, he's not wearing a tie and looks much more like a furious animal than these white, serious, well-educated people I’m surrounded of.

21 April 2008

Juízes comuns

Um dos meus únicos ídolos de toda a vida foi Michael Jackson. Aquele ser estranho de nariz fino e pele exageradamente branca. Aquele que ficou quase tão famoso por segurar seu filho na janela do hotel em Berlim quanto por lançar os álbuns Bad ou Thriller. Justamente aquele que virou motivo de piadas em todo o planeta por sua doença de pele e seu distúrbio sexual.

Michael nunca foi um ser humano comum. Depois da infância difícil e do sucesso à custa de muito talento e trabalho, ele chegou ao topo.

Ainda moleque, foi muito além do 'fazer música', como milhões e milhões fazem em qualquer canto da Terra. Michael revolucionou o mundo bizz com estilo, luzes, dança e som da melhor qualidade. A sincronização, o carisma, o poder de unir multidões e de fazê-las gritar com simples passos que ele tinha colocaram Elvis no chinelo. Michael e Madonna foram quem, simultaneamente, mostraram ao mundo que um show pode ser muito mais que uma apresentação. Foram eles que deram ao significado da palavra show o que ela representa de fato.

Veja este, este ou este vídeo pra ver do que estou falando. Assistindo, você vai se lembrar do que Michael, com sua fantástica equipe, representou pra uma, duas ou, quem sabe, três gerações inteiras.

Acostumado desde criancinha a levar porrada, depois de chegar ao topo, Michael caiu. Seu erro: ser mortal. Com aquelas roupas futuristas e movimentos inimitáveis, o público já não aceitava mais que ele também precisasse de médico, de ajuda, de carinho e, acima de tudo, de compreensão.

Vejo não só muita gente, mas nações inteiras, como japoneses, pedófilas. Quem sabe um pouquinho da promiscuidade dos japoneses não nega o que estou dizendo. Assim como vejo chefes no mundo todo recebendo boquete da secretária e a maioria dos brasileiros sem ler, escrever em português direito; muito menos falar inglês. Mas Michael Jackson, Bill Clinton e Lula (além de tantos outros) têm esse defeito em comum: teimam em se comportar como humanos.

Pior que se comportar como humanos sucetíveis a falhas é viver em meio a outros humanos que, paradoxalmente, não aceitam erros dos outros. Nossa sociedade, a humana, é cheia de juízes que se livram dos pecados próprios jogando toda a fúria e o desprezo por suas próprias 'falhas' nos outros. Projetando ou se identificando, como alguns psicólogos diriam.

É assim que quase o Brasil inteiro dirige hoje tanto ódio ao pai e à madrasta da menina jogada do sexto andar em São Paulo. Do mesmo modo que pedófilos, filhos de pedófilos, vítimas de pedófilos, amigos de pedófilos e pais de pedófilos condenam Jackson por seu distúrbio obviamente justificado pela sua história de vida. E, além de tudo, milhões de seres estranhos com apliques, botox, silicone, alongamentos e sabe-se lá mais o quê acham engraçado o rosto branco por causa de uma doença, de um cara que jamais jogaria uma pedrinha neles.

É a roda da vida. Se Pedro negou até Cristo por três vezes... quem é um Michael Jackson pra não ser crucificado! Também, quem mandou serem humanos...

30 March 2008

What?


The crowd is at Alexander Platz, one of the main meeting points in Berlin, waiting to try to set a new world record of Mac Burgers ordered on the same day.

So what are punks doing there? Don't ask me. The more I know, the less I understand.

01 March 2008

Sex tours in Thailand

I was googling Thailand and ended up watching this video on YouTube.

According to Aaron, the dumb 20 something-year-old Irish guy, he slept with over 50 girls during the 60 days he spent travelling in that country. "Had one girl stay with me for one week, she fell in love with me and got my name tatooed on her back. What a silly bitch.. Hahahaah!!!!", he writes just before the video starts.

I watched it and read many of the comments that followed it. A few minutes later I found a link to a website called Thailand Adult Tours.

The name doesn't leave any doubt about what it's about. When you roll the mouse on the button named "about thailand", you see the options "night life", "body massage", "cheap flights" and "why choose Thailand". I clicked on the last one and here are the first sentences of that page:


"Forget Prague, Amsterdam & Germany and the others, Thailand is the number one destination for hot sexy fun, where every day is a sunny one.

Perhaps you’re a couple looking for a mff threesome with a sexy Thai girl?

Maybe you’re an older lady seeking a young Thai man or girl for no strings fun? Guys, have you ever fantasized about spending the whole night with two, or more sexy and willing young girls?

If you said yes to any of the above then join our tours and we will help you fulfil your fantasy!"

You could get surprised to realise there are plenty of such websites. Exotica Travel and Pleasure Tours are some examples. This website also says that:

"More than 25 companies, based in Miami, New York, and San Diego, among other
cities, offer 10-day to two-week group or individual tours for $1,800 to $2,500 per person.

The price includes round-trip airfare to Bangkok or Manila, hotel, ground transportation, a local guide, and "introductions to lady companions throughout your stay as desired,'' as a brochure from New York-based Big Apple Oriental Tours puts it."

I ask myself why it's so hard to find more about Thailand than prostitution, the traffic of animals and that hippy, drugs and mafia story from the movie "The beach". Who would you blame for that?

To know more about the subject, besides good materials provided by magazines and (let's say) serious websites, this is an interesting website which gives lots of details about the Thai "entertainment" (how many refer to prostitution). Wikipedia can also help understand the historical and legal terms involved in that matter.

22 February 2008

Sobre o amor

O amor é uma daquelas coisas tidas como patrimônio universal, uma espécie de bem público de que a maioria das pessoas usufrui, mas não possui.

Como acontece com futebol e Big Brother, o amor é um assunto em que cada um de nós se julga experto. Todo mundo dá palpite, todo mundo define, todo mundo julga. E muita gente compete quem ama mais, quem ama melhor, quem merece amar, quem não deveria ser amado, quem nunca vai aprender o que é amar e tantas outras coisas assim que estou de saco cheio de ouvir por aí.

Tudo bobagem!

Dizer que alguém é frio, inconstante, desconhecedor do verdadeiro amor ou indigno deste é fácil.

Dizer sempre é fácil.

Amar não é.

Acredito que alguns tipos de pessoas já nascem com uma certa disposição pra amar, enquanto outros crescem assistindo ao exemplo de quem ama ao seu redor.

Pode ser, entretanto, que muita gente, mesmo, passe a vida inteira sem amar ou sem saber ser amada. E daí? Como se o amor fosse garantia de felicidade... E como se felicidade fosse acumulada e, lá no final da vida, definisse quem teve uma vida melhor ou pior.

Quem ama sabe que não é assim.

Com uma coisa hei de concondar com a maioria: tudo fica mais fácil com a pessoa amada. E, se alguém disser que é o contrário, hei de concordar também.

E terei sempre razão. Ou nunca. Afinal de contas, o amor é assim mesmo, uma confusão só. Quem ama sabe. Quem não ama hoje simplesmente não lembra.

Por mais ponderados que sejamos, no amor, vale tudo. Dedos, línguas, palavrões, surras, algemas, saudades, distância, jóias, brigas, mentiras e verdades doídas, flores, lingeries, maquiagem, economia, carreira, chantagem, seqüestro, aprisionamento...

É a mais pura anarquia do mundo.

E é o amor o nosso calcanhar de Aquiles. Não há dinheiro, santo, armadura ou frieza que nos proteja do direito, da obrigação, da bênção ou da penitência de amar.

Quando o amor bate à porta trazido por uma ladra ordinária, ele entra em casa de uma vez só e, quando amanhece, todos os cômodos estão ocupados e os móveis carregam seu cheiro. De repente, a mais suja das mulheres, a mensageira do amor, conquista nossa atenção, corpo, pensamentos e valores morais cultivados por anos e anos vão parar no lixo. Jogados por nós próprios, mesmo sabendo que ela não “vale a calcinha que veste”.

Isso não é fantástico?

Não há promessas, alianças, juramentos, álbuns, mudanças, contratos, castidades nem ameaças que nos garantam que essa fonte de loucura, prazer e ódio nunca se esgote.

Enquanto quase tudo se compra, se troca e se vende... o amor ainda nos dá a sensação de justiça social. Permanece um patrimônio universal. Usufruído por todos, possuído por ninguém.

14 February 2008

Identidy

When I was a child, my family had the habit of moving on a very frequent basis. By the time I finished high school, I had already studied in 7 different schools. Today, I've already moved to more than 10 cities in 5 countries and packed hundreds of times. But it doesn't have much to do with my parents anymore.

Interesting how things happen. Before a first badly broken heart, I had everything so clear in my mind. I would study one year abroad, then go back to Brazil and keep on studying and practing sports until I graduated from university. Then I would get a good a job and finally marry the girl I loved. This all should have already happened by now.

We broke up. She continued her studies, graduated, went back to her town, got a nice job and her own house, got married and is now pregnant.

And I'm now in Berlin, moving back to Germany 7 years after the last time I came here. No job, an interrupted career, no girlfriend with me, no marriage at sight, no money to buy even a car, staying at an apartment which I don't even pay the rent for. My whole life has to fit inside 3 backpacks and one body.

Yes, it's definitely interesting how things happen. Every time someone asks where I come from I feel I can never be completely honest. I don't know it anymore.

It's obviously overwhelming, but when I think of Palestinians, Tibetans and many other people without a land, I realise how lucky I am to feel safe and not alone afterall.

Besides, it's simply amazing to arrive in a place and realize that, after 9 months, not all is about money anymore. There're millions of people in Europe who seem to be in pursuit of happiness instead of comfort and status. Some little things are very peculiar here and I've missed that.